The Box Of Lovers

Sunday, October 08, 2006

Enfim

O poema que segue foi escrito esses dias, no fim do mês.
Ainda não está definido, mas bem encaminhado...

Introdução


Assim
se fez o fim,
da luz dos primeiros astros
da pequena música casual
que retornava
no pequeno quarto nostálgico.
das primeiras horas,
de onde surgiam
risos distraídos, dourados
ou a descida dos umbrais
da fascinante utopia.
no declinar
no rubor de uma casta aurora.

Assim se fez a dor,
dos primeiros mundos
desenhados.
das primeiras frases,
entrecortadas
por um pensamento.
um sopro talvez
de inspiração em meus olhos
me fez vagar.
vigiei as vozes do meu tempo
porém meus ouvidos
foram selados,
pelos sublimes anjos noturnos
do esquecimento.

Em sendas o destino
curvou espinhos,
floresceu demais nesta casa
de espelhos e ilusões.
nestas salas jamais adentrarão
os castos amantes,
nestes vastos jardins jamais,
os seus pés suaves
vão deslizar passos em vão.
destes negros portões jamais.

Em poemas,
as contas do rosário
da vida,
não pesará mais que as mãos
de uma criança desperta,
após longos pesadelos
exasperantes.
menos que lágrimas
de um abençoado
em anunciação de uma centena
de milagres.
ou o apaixonado,
que feriu os pulsos por saudades.
ou a paixão que retorna o transe
dos eternos solitários.

Assim se fez a angústia,
das pequenas coisas simples,
do pequeno erro, do pequeno gesto.
assim se fez a solidão.
das fotos guardadas na estante,
dos momentos inesquecíveis
que em minhas pupilas riscaram
seus traços.
dos copos de café sobre a mesa
de vidro.
entre os guardanapos escritos.


Assim se fez o verbo em mim.




Setembro de 2006.

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